<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492</id><updated>2011-04-21T16:12:25.463-07:00</updated><title type='text'>Rosangela e a imprensa</title><subtitle type='html'>O que tanto irrita Rosinha Matheus? Leia aqui!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://imprensa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492.post-85651767</id><published>2002-11-07T15:25:00.000-08:00</published><updated>2002-11-07T15:25:47.186-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;H3&gt;O vexame do Rio&lt;/H3&gt;&lt;b&gt;Como diria o Jabor, de onde vem o dedo podre do carioca para o voto?&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;font color=blue&gt;Fernando Pedreira&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não desejo ser irrespeitoso, meu caro Prado, mas tenho a impressão que o Brasil se decidiu pela vasilha." Assim escrevia de Paris o Eça, em 1888, em carta ao seu amigo paulista Eduardo Prado, falando do país que vinha de extensamente visitar. "Os brasileiros, desde o imperador até o trabalhador", observa ele, "andam a desfazer e, portanto, a estragar o Brasil". Hoje, século e pico mais tarde, não estamos mais às vésperas da República (que viria logo em seguida, pela espada de Deodoro) mas à espera simplesmente do segundo turno de eleições que parecem a essa altura favas contadas, mas nem por isso deixam de sacudir e assustar boa parte do país e, até, do ecúmeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teriam os brasileiros decidido, outra vez, pela vasilha? É possível. Como cidadão carioca, entretanto, embora respeitando muito as eventuais angústias de meus compatriotas de outros estados, não posso deixar de admitir que, em toda a Federação, não houve talvez desempenho eleitoral e postura cívica mais vergonhosos e vexaminosos que os do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem primeiro chamou a atenção para este triste fato, e com a costumeira veemência, foi Arnaldo Jabor, em sua coluna de terça-feira última. Com efeito, as eleições do dia 6, que prepararam as do próximo domingo, foram até, em muitos decisivos aspectos, corretas e mesmo admiráveis. Elegemos, ou ganhamos a certeza de eleger daqui a mais sete dias, bons e confiáveis governadores em todos os chamados grandes estados da Federação: Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas, Bahia, Pernambuco, excetuando apenas o Rio, que consagrou Rosinha Matheus e seu Garotinho, e, pior ainda, nem sequer foi capaz de apresentar ao eleitorado um único candidato ao governo digno desse nome e de despertar o entusiasmo e a confiança verdadeiros dos bons cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ainda; o pleito do dia 6 teve também um efeito purgativo que nos permitiu expelir Maluf, Quércia, Newtão, Collor, Mestrinho, quantos mais? No Rio, ao contrário, além do casal reinante, ainda inventamos um Crivela para substituir talvez o Brizola, que se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde vem esse dedo podre dos cariocas para o voto? - pergunta o Jabor. Já me ocorreu dizer que vem do século e meio em que fomos capital da República e nos acostumamos às mesuras diante do chefe de Estado, que nomeava nossos prefeitos e nossos governantes. Ficamos com alma de cortesões. Ou de escravos. Ou de uma mistura cabocla dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas há talvez um outro fator que vem, também, de muito longe, mas que é, por assim dizer, curiosamente hodierno. Éramos governados ou conduzidos, até ainda ontem, pelos barões do bicho, que dona Denise Frossard botou na cadeia. Dizia-se que, no Rio, ninguém se elegia deputado ou vereador sem o aval e o apoio do bicho. Hoje, o bicho encolheu e seu lugar foi tomado pelo tráfico, cem vezes mais rico, mais bem armado, mais cruel, que governa (conduz) as favelas e arredores e seu povão imenso. Discute-se muito como votaram ou votam os evangélicos. Mas, e o Elias Maluco e o Fernandinho Beira-Mar? Cruzaram os braços, desligaram seus celulares? O GLOBO publicou um mapa mostrando os votos de dona Rosinha região por região, zona por zona; vejam onde ela ganha e onde ela perde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma história antiga que tem ainda testemunhas vivas. Havia uma moça que trabalhava no escritório de uma grande seguradora e que, por laços de família, era afilhada do famoso capo Castor de Andrade. Certo dia, essa moça, entre festas e abraços, casou-se e saiu com o marido em lua-de-mel, mas não teve sorte. O carro em que viajavam atropelou e matou uma criança, antes mesmo de sair da cidade. O episódio foi registrado na delegacia mais próxima e a tragédia era completa; a própria vida futura do jovem casal parecia condenada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando o pai da moça lembrou-se de chamar o padrinho. Chegou o Castor, pôs no seu carro os noivos e rumou com eles para a delegacia. Mandou que o carro estacionasse na esquina mais próxima e disse ao chofer: "Vá lá e diga ao escrevente, seu Fulano, que venha aqui falar comigo." Veio o escrevente e Castor lhe perguntou: "Meu filho, como é o sistema de registro de ocorrências aí nessa delegacia? São folhas soltas ou num livro encadernado?" "É um livro grande, desses de atas," respondeu o escrevente. "Então", disse-lhe Castor, "você vai ter um pouco mais de trabalho. Volte lá, arranque do livro as folhas dessa ocorrência da minha afilhada e traga-as aqui, que eu prometi dá-las como presente de núpcias. Mais tarde, você refaz o livro com cuidado, para não deixar vestígio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi feito. O poder do bicho estendia-se do gabinete do governador à última delegacia, para não falar de outras repartições do seu interesse. A própria imprensa tinha seus contatos. Ainda há poucos anos um grande jornal, precisando reforçar e renovar com urgência o armamento de seus seguranças, recorreu ao Castor, que forneceu logo tudo que era necessário. O Castor funcionava como uma espécie de representante geral da contravenção. Perguntem ao Moreira Franco, ao Sérgio Cabral ou a qualquer outro político bem-sucedido do Rio de Janeiro se não era assim, se não é assim, ainda. Eles devem saber quem é hoje o sucessor do Castor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, o poder do bicho murchou (mas não acabou). A dra. Frossard e o dr. Biscaia, honra lhes seja feita, fizeram um belo trabalho, mas não teriam conseguido o que conseguiram se não fosse a oportuna criação, pelo governo federal, de lotos, lotecas e jogatinas diversas que conquistaram o povão e, gradualmente, comeram por baixo o pasto gordo dos bicheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o que vemos é um poder novo, o do tráfico, bem mais incivilizado, imensamente mais rico e brutal que o bicho, trabalhando também para firmar e estabelecer o seu (horrendo) poder paralelo. Dentro do governo, dentro da polícia e da Justiça, assim como ao lado deles, de braços dados até com instituições e organizações civis ou religiosas que, a pretexto de proteger presidiários, garantir direitos humanos, preservar a autenticidade "espontânea" da favela, na verdade idealizam a bandidagem e o crime. Protegem-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas eleições de agora mostram que, ao menos no Rio e em suas vizinhanças, estamos perdendo a batalha. Predomina o laxismo; laxismo político, laxismo penal. Nem ao menos enfrentamos para valer o inimigo. Seria preciso, tal como se fez no bicho, descobrir meios de esvaziar legalmente ao menos partes do mercado da droga, do multimilionário mercado do tráfico. Seria preciso coragem política; disposição de luta; gente moça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difíceis questões. Com elas, que parecem pesar tanto neste fim de artigo, este articulista despede-se desta página e dos seus pouquíssimos fiéis leitores (quantos seriam, ainda? dez, doze?) Aposenta-se. Em busca talvez de outras cavalarias ainda mais árduas e, quem sabe, mais duradouras, menos efêmeras... Abraço apertado para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O GLOBO, 20.10.2002&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3925492-85651767?l=imprensa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/2002_11_03_archive.html#85651767' title=''/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492.post-85651915</id><published>2002-11-07T15:21:00.000-08:00</published><updated>2002-11-07T16:04:06.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;H3&gt;A estranha&lt;/H3&gt;&lt;b&gt;Um vizinho de Rosinha teria ouvido ela gritar: A única coisa no céu que eu admito é Deus!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;font color=blue&gt;Mauro Rasi&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente tia Hilda vira-se e diz:- Vocês não acham meio estranho ser governado por uma pessoa que não tem nada a ver com a gente? Afinal de contas, quem é essa mulher? Será que lê algum livro? Assiste a algum filme? Vai ao teatro? Ouve alguma música? Ou só se alimenta da palavra de Deus? Parece que vem de outro mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E deve vir, mesmo - aquiesce tia Lola, temperando um lagarto redondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha queridíssima irmã, crente de carteirinha e a única pessoa que conheço que votou no Garotinho, considera ser apenas uma questão de tempo para que a palavra de Deus conquiste o mundo (Para infortúnio da minoria resolveram começar logo pelo Rio!). Afirma, com aquela convicção que só os crentes possuem, que as "falsas religiões" cairão como as muralhas de Jericó e nem precisarão de trombetas. Com "falsas religiões" ela está se referindo a catolicismo, judaísmo, islamismo, budismo, xintoísmo, espiritismo e todos os "ismos" que não forem evangélicos. Outro dia me disse, em tom grave, que uma missão evangelizadora partira de sua igreja em Bauru, em direção a Teerã, Bagdá e Meca. Fiquei perplexo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meca?!! E vocês têm tido notícias deles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há três meses que não telefonam, não mandam e-mail nem uma cartinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Falei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pudera. Devem ter tido uma morte horrível, vocês vão receber os ossinhos deles numa urna. Se receberem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA POUCO mais de 48% dos eleitores fluminenses, realmente é estranhíssimo ser governado pela Rosinha, isso sem falar nos "bispos" da Igreja Universal que vêm a reboque. Tia Hilda acha que uma coisa é eles ficarem lá nos templos lutando contra os encostos; outra bem diferente é querer governar a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não combina, parece móvel fora do lugar. Não tem nada a ver com o Rio de Leila Diniz, de Tom, Vinicius, Chico, Cartola, sem falar na Banda de Ipanema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das duas, uma: ou ela é a estranha ou o estranho sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês dois são muito estranhos - sentencia tia Norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade ninguém sabe quem ela é, ou o que se passa naquela cabecinha, debaixo daqueles cabelos alisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Garotinho que abra o olho, que, na hora que ela sentir o gostinho do poder, não depender dele pra mais nada, ele dança. Que mulher, com poder, sai de perto! Taí a Marta Suplicy que não me deixa mentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve uma prima da minha mãe que foi secretária extraordinária de Turismo e Lazer de Bauru, que usou o poder para se vingar dos desafetos da família. Impediu os parentes de viajar nos fins de semana (chegou a bloquear as estradas) e de usarem a pracinha. E ninguém podia imaginar que ela nutrisse tamanho ódio contra a própria família. Era tão dada, cordial, sorridente e prestativa; lavava e vestia os defuntos, sempre que tinha aniversário se oferecia para enrolar os cajuzinhos. Todos achavam que estivesse satisfeita com a vida. Ledo engano. Bastou tomar posse para se revelar uma déspota. O poder vira a cabeça das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês vão ver só daqui a alguns meses. Garotinho vai chegar em casa e perguntar pra empregada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê dona Rosinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saiu com seu Crivella . Disse que iam orar. Falou que não tinha hora pra voltar, que a sessão de descarrego vai varar a madrugada. Disse pra deixar o prato do senhor no forno. Ah, e tem pudim na geladeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garotinho fez o que manda o ensinamento popular: foi se queixar ao "bispo". Disse que ela não cuida mais da casa, não prega mais um botão nas suas camisas, não leva as crianças no colégio, não quer nem saber se elas escovaram os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até meia eu estou tendo que lavar. Fica dia e noite enfurnada no gabinete discutindo se tira ou não o bloqueador de celular de Bangu l, ou onde irá construir o próximo piscinão, o próximo restaurante popular, a próxima farmácia de um real... Ah, se arrependimento matasse! O Rio ganhou uma governadora, mas eu perdi minha mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIZEM QUE ainda sentiremos saudades de FHC. Eu diria que de Benedita também. Tia Olga acha que agora é que a gente vai se dar conta de como ela se esforçava para ser competente e do abacaxi que teve que descascar. Tia Hilda sustenta que Bené ainda está naquela de oferecer a outra face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - É uma obreira do PT. Rosinha vai ficar batendo nela até fevereiro, e a coitada não vai poder revidar para não prejudicar o "apoio" do PSB ao Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  E conclui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Benedita nasceu para sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, cá pra nós, que implicância que a governadora eleita tem com o dirigível, não?  Um vizinho lá do Cosme Velho teria ouvido ela gritar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A única coisa no céu que eu admito é Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tia Lola desconfia que na encarnação passada ela estava a bordo do Hindenburgo no dia da terrível catástrofe. Mas como eles não acreditam em reencarnação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O GLOBO, 14.10.2002&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3925492-85651915?l=imprensa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/2002_11_03_archive.html#85651915' title=''/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492.post-385651749</id><published>2002-11-07T15:20:00.000-08:00</published><updated>2002-11-07T15:20:18.363-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;H3&gt;O dia em que o Rio de Janeiro se suicidou&lt;/H3&gt;&lt;b&gt;A resistível ascensão do neo-populismo poderia ter sido evitada&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;font color=blue&gt;Arnaldo Jabor&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o mal já está feito. O Estado do Rio elegeu Rosinha para o governo, Sergio Cabral e Mario Crivella para o Senado e, na assembléia estadual, pulularão os mesmos micróbios populistas e corruptos de sempre. Não adianta chorar pelo chopinho derramado, como fazem sempre os cariocas.  Seremos governados por um casal "peronista" tardio, misturado a um Jesus político, enquanto em Brasília o neochaguismo nos representará no Senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistiremos agora, reclamando do destino, à destruição do Rio.  Por que esse tradicional "dedo podre" dos cariocas para o voto? Lembrem-se da lista de nossos governadores dos últimos 30 anos. Como explicar isso, se somos os "malandros", os bons-de-cintura, os "bambas do samba"? Por que, em São Paulo, o Maluf foi expelido, Quércia também, por que Iris Resende, Fernando Collor, Newtão, Gilberto Mestrinho, Augusto Farias e tantos outros foram jogados para corner e o Rio ficou com o atraso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a elite pensante do Rio, os cientistas políticos que vivem com o olho grudado no Bobbio ou no Bourdieu, não viram nada? Ninguém acionou o alarme? Acho que o Rio é uma "cidade partida" sim,  também  na consciência política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo da periferia, o carioca  vive mergulhado na ignorância e na pobreza. Coitados - como vão entender os demagogos que lhes dão esperanças, como vão saber dos fariseus? Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a outra parte é a dos "inocentes do Leblon", dos garotos de Ipanema. Esses é que permitiram a "resistível ascensão de Rosinha", somados ao grande rebanho de uma classe média de gravata que vive clamando por um vago udenismo, trêmula de medo e de insegurança, com ideologias ralas que não vão além de "o governo é culpado", ou "tudo isso aí é uma vergonha...". Ninguém sabe nada de política, que se resume aqui, no "sal céu sul",  num vago Fla x Flu de botequim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser a velha tradição cartorial, de funcionários públicos da velha capital da República, onde a política se traçava nos balcões mercantilistas, nos interesses dos negreiros e cafeicultores, na simbiose patrimonialista dos donos do poder, criando esse desalento, esse desinteresse pela luta política, porque o clientelismo a tornava inglória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou esse cacoete da República Velha, uma estirpe de burocratas oportunistas enrolando os cidadãos, ficou a visão de que política é atividade "deles",  dos poderosos do "café com leite". Foi-se a capital da República e só ficou a pose de um antigo poder que se esvaiu, sem base concreta. A política como oposição de interesses em luta, como defesa social não atrai a população. Os grandes gestos abstratos, sim, as bandeiras utópicas, passeatas heróicas, tudo bem, isso fazemos, mas sempre a posteriori, depois das causas perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio, também,  o capitalismo é ralo; não tem a seriedade produtiva e voraz de São Paulo, que gerou inclusive o PT, no seio das fábricas do ABC. Onde o nosso ABC? A resistência a Rosinha surgiu num botequim, o Bracarense (com bom chope e empadinhas, sem dúvida), num movimento tardio. Aí, não adiantava mais. Fazemos política de botequim, o que me lembra a frase de Oswald, que parafraseio por ser apropriada para nós: "No Rio, o contrário da burguesia é a boemia; em São Paulo, é o proletariado". Fomos a pátria da esquerda festiva, do intelectual de bar, dos assinantes de manifestos inúteis. Estamos sempre prontos para marchas pela paz, todos de branco, gritando  "Viva Rio!", apelando para quem? Para Deus? Para Yemanjá? Quem? Para a cordialidade dos criminosos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como temos uma visão idílica da cidade, temos uma visão pejorativa da política - "coisa do povo". Os homens espertos, como Garotinho e, antes dele, como Chagas Freitas, vão se banhar nesse piscinão de votos desesperados das periferias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desatenção do carioca com a política real é tanta que somos pegados de surpresa em  golpes como fomos em 64, comemorando a "vitória" do socialismo meia hora antes da chegada dos tanques de direita de Minas. Aí, choramos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A facilidade com que a Rosinha foi eleita é igual à facilidade com que um boato fechou a cidade. De repente, descobrimo-nos desamparados, medrosos, desunidos por um boato. O fato político surge como um acidente, um susto na paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, agora, estamos diante de um projeto de desconstrução da cidade, com a porta aberta para a entrada de um neopopulismo sórdido, que pode desestabilizar o resto do país no futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É  inacreditável que os intelectuais, acadêmicos, artistas e formadores de opinião, preocupados apenas em manter limpas suas consciências ideológicas, tenham se esquecido de combater essa terceira via terrível do populismo carioca, essa grave anormalidade sociológica que nos acometeu. Esqueceram-se de ajudar a Benedita, essa mulher corajosa que fez as únicas ações eficazes contra o tráfico. A desconhecida Solange (que o PSDB apoiou de afogadilho para o Serra ter palanque) e o pálido Jorge Roberto se ocuparam em atacá-la, deixando o cabelo chapinha de Rosinha intocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, chegou a hora do lamento, os porres pessimistas: "O Rio não tem mais jeito... Ahhh... Vamos beber!"   Sempre vemos as tragédias "depois", como só agora descobrimos as favelas, que eram "líricas" e esquecidas no passado, ao som do samba, sem armas. Agora, elas têm emprego: a cocaína. Tarde demais, doces malandros-otários. A paisagem nos aliena, a praia nos aliena, a beleza cultural nos aliena.  Nós nos achamos "acima" do país, donos de uma ginga superior. Só pensamos em polícia, nunca em política.  E o tráfico é um caso de política.  Beira-Mar sabe bem disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem precisa de educação política não são os populares pobres que elegeram o neopopulismo; são os privilegiados da Zona Sul que nada fizeram para impedi-lo. Os alienados somos nós, gente boa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O GLOBO, 15.10.2002&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3925492-385651749?l=imprensa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/385651749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/385651749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/2002_11_03_archive.html#385651749' title=''/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492.post-385651683</id><published>2002-11-07T15:15:00.000-08:00</published><updated>2002-11-07T15:26:18.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;H3&gt;Não toqueis os meus ungidos&lt;/H3&gt;&lt;b&gt;O novo programa eleitoral deixou uma pergunta que não quer calar: quem tem medo de Regina Duarte?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;font color=blue&gt;Artur Xexéo&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É duro ser um colunista incompreendido. Estou aqui, há duas colunas, defendendo dona Rosângela Matheus dos ataques injustos que vem recebendo de gente maledicente. E para quê? Para receber e-mails como este que reproduzo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você está andando por caminho perigoso. Não brinque com coisa séria. Leia esta passagem bíblica. ’Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.’ Cuidado! A mão de Deus é muito pesada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será uma ameaça? E o que significa mesmo ungido? Me ajuda Aurélio: "que se ungiu." Não chega a resolver minha dúvida. "Fomentado com ungüento." Será? "Que recebeu a extrema-unção." Dona Rosângela está longe disso. "Que foi alvo da cerimônia da sagração." Acho que isso só acontecerá em janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem seriam os profetas? Dona Rosângela e Garotinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de mim insistir em andar por caminho perigoso, mas, por falar em Garotinho - o ex-governador - o locutor esportivo José Carlos Araújo, o primeiro e verdadeiro Garotinho, deu uma entrevista esclarecedora no "Programa do Jô" de segunda-feira. Garotinho, o falso, tomou seu apelido, registrado no INPI. Garotinho, o falso, no tempo em que ainda não alimentava o desejo de ser presidente da República, queria narrar partidas de futebol e fez um estágio com Garotinho, o verdadeiro, na Rádio Globo. Percebendo que o estagiário o imitava, Garotinho, o verdadeiro, não investiu na parceria. Logo depois, Garotinho, o falso, passou a usar o mesmo apelido do verdadeiro. O caso foi parar na Justiça duas vezes e Garotinho, o falso, perdeu as duas vezes. No entanto, Garotinho, o verdadeiro e magnânimo, permitiu que Garotinho, o falso, usasse seu nome, contanto que não fosse em título de programas de rádio ou TV. Não é revelador? O sujeito não conseguiu inventar nem mesmo um apelido original. Seu primeiro nome artístico, antes de se apossar do Garotinho, foi Tony Matheus. Não é muito melhor? Taí, a partir de agora, só vou chamar Garotinho, o falso, de Tony Matheus, este, sim, o verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso foi uma digressão. Vamos em frente. Estava disposto a continuar minha defesa de dona Rosângela Matheus. Mas ela se escondeu. Interrompeu a temporada de declarações polêmicas e foi veranear em... Guarapari! Pode ser mais chique?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem compare dona Rosângela com Evita Perón. Eu mesmo já a comparei com Jacqueline Kennedy. Mas, no fundo, o modelo de dona Rosângela é Maria Teresa Goulart. Era Maria Teresa quem, nos tempos de primeira-dama, passava o verão em Guarapari. A democracia agonizava, mas ninguém sabia disso. E dá-lhe areias monazíticas. Diz que, dia desses, o casal Rosangela e Tony Matheus vestiu seus trajes de banho e foi conhecer a Praia da Areia Preta. Por favor, não me mostrem fotos. Será que é com areia monazítica que o casal será fomentado com ungüento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tem jeito. Por enquanto, temos que ter saudades de dona Rosângela enquanto ela aproveita os ungüentos de Guarapari. Quanto a Tony, ele não nos deixa de jeito nenhum. Deixou gravada uma mensagem no programa eleitoral do Lula. Gente, o que foi aquilo? Aquele pessoal todo fazendo o gesto de "vem pra Caixa você também"? E precisava incomodar a Roseana Sarney no hospital? Confesso que não fiquei muito animado quando, abatida, a ofendida senadora eleita fazia o gesto me chamando. Não quero ir, não. E fiquei com uma dúvida crucial: quem quer votar na oposição faz o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa do Lula só não foi o pior da noite de estréia do horário eleitoral do segundo turno porque, logo depois, entrou no ar o do Serra. Com Regina Duarte. Eu pensava que conhecia Regina Duarte. Mas não a reconheci naquele comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza de que Marília Pêra se arrepende do dia em que gravou a mensagem de apoio a Collor, anos atrás. Se pudesse, apagava aquele dia de sua vida. Com Claudia Raia não deve ser diferente. Com Teresa Raquel também. Penso que Regina Duarte ainda vai maldizer o dia em que topou bancar a garota-propaganda da campanha terrorista contra Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Regina chegue na TV e diga que vai votar no Serra porque ele é o melhor candidato, tudo bem. Teria toda a minha admiração. Regina é peessedebista de primeira hora. E é preciso ter coragem para, no meio desta onda pró-Lula, virar-se para uma câmera de TV e revelar seu voto em Serra. Mas fazer cara de acuada e dizer que está com medo de Lula, que teme a volta da inflação a 80%, que... a gente sabe que não é verdade. A gente sabe que a Regina não pensa nada disso. A gente sabe que foi um trabalho de atriz a serviço de uma estratégia política, daquelas estratégias de baixo nível. A participação de Regina Duarte na campanha de Serra é muito diferente, por exemplo, só para ficar no âmbito dos artistas, da de Nana Caymmi no primeiro turno. O depoimento de Nana era evidentemente verdadeiro. É muito diferente também da do grupo KLB, evidentemente comercial. Regina usou de seus artifícios de atriz para fingir que era verdadeiro um sentimento falso. Pegou mal. Muito mal. Confesso que, no fim, fiquei com medo de Regina Duarte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Regina Duarte pode ser na campanha do Serra o que a garrafa de Romanée-Conti está sendo na campanha do Lula. Um inacreditável tropeção do marketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O GLOBO, 16.10.2002&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3925492-385651683?l=imprensa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/385651683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/385651683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/2002_11_03_archive.html#385651683' title=''/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492.post-85651722</id><published>2002-11-07T15:14:00.000-08:00</published><updated>2002-11-07T15:14:13.650-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;H3&gt;O que foi que ela disse?&lt;/H3&gt;&lt;b&gt;Dona Rosângela arma barraco desdizendo o que não disse&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;font color=blue&gt;Artur Xexéo&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa dona Rosângela Matheus é danada mesmo. Nem assumiu ainda e já descobriu que seu grande inimigo é... O GLOBO.  "Olha, eu creio que quem tá começando com mentiras e deturpando o que eu falo é o jornal O GLOBO", disse a governadora eleita, tentando explicar a confusão que produziu ao mostrar que não está segura da necessidade de os presídios cariocas utilizarem bloqueadores de celular. "Eu acho que a imprensa, O GLOBO, tem que ter um pouco de responsabilidade e não querer intrigar a gente com a sociedade ou deturpar o que nós falamos", acrescentou a ex-primeira-dama. "Espero que O GLOBO não comece cedo contra mim", concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza de que, quando dona Rosângela acusa O GLOBO de mentiroso, intrigante e deturpador, não está se referindo a minha humilde pessoa. Eu, como todo mundo sabe, não tenho nada contra ela. Acho mesmo que dona Rosângela está trazendo de volta um pouco do glamour de que o Rio anda tão precisado. Aquele cabelo esticadinho, aqueles terninhos sempre em tom pastel... É praticamente uma Jacqueline Kennedy tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de Evita, como os maldosos se referem a ela. Evita gostava de peles, tiaras de brilhantes. Em comum com Evita, talvez, só mesmo a cintura marcada. E sei que não é fácil para dona Rosângela manter o peso. Ela faz a dieta da proteína, só toma refrigerante diet, cafezinho com adoçante... É dura a vida da revelação política das últimas eleições. O que só faz aumentar minha admiração por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desviando um pouco do assunto que motiva esta coluna, há, no entanto, algo estranho na dieta de dona Rosângela. Quanto mais ela emagrece, mais engorda seu marido, o ex-governador Garotinho. Não deve ser fácil determinar o cardápio na casa do casal 20 fluminense. Olha só, dona Rosângela tem tantas questões para resolver no comando de nosso estado e ainda tem que se preocupar com um cardápio que, ao mesmo tempo que engorde seu marido, a faça emagrecer. A dupla jornada, no caso de dona Rosângela, ganha uma inesperada conotação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava me esquecendo das camisetas. Nem Jacqueline, nem Evita ousaram tanto. "Jesus é meu senhor", diz uma; "Jesus é 10", mostra outra; "Jesus me completa", garante uma terceira. Dona Rosângela, definitivamente, é superfashion. E não se fala mais nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que dona Rosângela está com tanta raiva do GLOBO? Porque precisou desmentir a notícia de que iria desativar o bloqueador de celular recém-instalado em Bangu I. Opa, dona Rosângela, então, está desmentindo o que ninguém disse que ela disse. O que foi que dona Rosângela disse? Repitamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós estamos estudando porque a informação que eu tenho, e eu preciso confirmar, é que o bloqueador não vai bloquear só o sistema penitenciário, vai bloquear toda a região. Quem mora na região vai poder usar o celular?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, isso foi o que a dona Rosângela disse. E o que foi que O GLOBO disse? Repitamos: "Rosinha admite retirar de Bangu bloqueador de celular." (Aqui é preciso explicar: Rosinha é como O GLOBO trata a governadora eleita. Eu, que não minto, não faço intrigas, não deturpo, só a chamo de Rosângela. Enfim, Rosinha e dona Rosângela são a mesma pessoa. Ou não?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Rosângela não gostou de ler que ela admite retirar o bloqueador. Mas não está certo? Se ela não admitisse, por que então estaria estudando? Está estudando o quê? Manter o bloqueador? E precisa? Só pode estar estudando retirá-lo, uai. Para quem já tinha dito que ia interromper os serviços do dirigível, é muito natural que se interprete sua declaração como quem admite retirar também o bloqueador de celular. Dona Rosângela detesta as iniciativas do ainda atual governo nas questões de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou totalmente a favor de que dona Rosângela estude sempre. Estude tudo. Estudar só faz bem. Mas, sinceramente, ela está pisando na bola na área de segurança. Não faz ainda nem uma semana que foi eleita e já deu duas declarações polêmicas, justamente nesta setor. Não me conformo com o fato de dona Rosângela não querer manter o dirigível que nos protege. Sem nem mesmo estudar a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ela sabe que, na captura de Elias Maluco, todo o mapeamento do Complexo do Alemão foi realizado a partir das filmagens feitas pelo dirigível? Será que ela não percebe que o dirigível aumenta... ahnn... como é mesmo que se diz?... ah, a sensação de segurança da população? Por que cargas d’água a governadora eleita implicou tanto com ele? É caro, eu sei. Mas e o custo/benefício?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que dona Rosângela está tirando uns dias de férias, em local incerto e não sabido, e, por alguns dias pelo menos, não corre o risco de fazer mais nenhuma declaração desastrada. É melhor assim. Espero que ela aproveite esta temporada para estudar. Estudar o dirigível, o bloqueador de celular, o orçamento do estado e o que mais for importante para a missão a que ela se propôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O GLOBO, 13.10.2002&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3925492-85651722?l=imprensa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/2002_11_03_archive.html#85651722' title=''/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3925492.post-85651696</id><published>2002-11-07T15:07:00.000-08:00</published><updated>2002-11-07T15:28:19.000-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;H3&gt;A imagem com que dona Rosângela chega&lt;/H3&gt;&lt;b&gt;Conselho à governadora eleita: pacifique seu coração e aproveite o que Benedita fez de bom&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;font color=blue&gt;Artur Xexéo&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Rosinha Garotinho foi a responsável pela maior surpresa que tive nesta eleição. E olha que foi uma eleição cheia de surpresas. A primeira delas foi a escolha para senador na maquininha de votação. Ninguém me disse que, após votar no primeiro escolhido, seu nome e sua foto não sairiam da tela enquanto eu escolhesse o segundo. Gastei uma fração de segundo tentando entender o que acontecia, apertando três vezes, sem necessidade, o botão "confirma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra surpresa foi a gravata vermelha de Pedro Bial na apresentação do "Fantástico" no domingo eleitoral. Cruzes! Cheguei a botar óculos escuros para acompanhar os primeiros resultados que o programa trazia. Nem o Lula chegou tão longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a maior surpresa mesmo foi provocada pela governadora eleita. Dormi no domingo acreditando que teríamos um segundo turno e acordei com Rosinha na cabeça. Que ressaca! Não consigo afastar a sensação de que a candidata esperou que eu fosse dormir para superar os 50% dos votos. Só para me enganar. Ou então ela fez isso por bondade cristã. Quis me garantir uma boa noite de sono. Rosinha ganhou, mas ganhou escondida. Foi tudo muito estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada contra Rosinha. Ao contrário de todo mundo que me cerca, que a chama de Mentirosinha, que grita "Rosinha não" no café da manhã, que critica sua porção Mia Farrow que a faz ter uma compulsão por adotar crianças, que debocha de sua preocupação com a "vazão escolar", eu enfrento de coração aberto sua estréia como governadora. Não sou como essa gente que passou a ter inveja de São Paulo, que elege gente chique como Aloísio Mercadante e que leva José Genoíno para o segundo turno. São Paulo? E o Enéas? Como explicar o Enéas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de São Paulo. Diga ao povo que fico. Até com Rosinha. Para não dizer que não tenho nada mesmo contra ela, confesso que implico um pouco com seu nome. Tenho uma certa vergonha de morar num estado governado por uma mulher que diz se chamar Rosinha Garotinho, mas que não se chama nem Rosinha, nem Garotinho. É só um nome-fantasia. Que nem Coca-Cola. O nome dela é Rosângela Matheus. E a partir de agora, por respeito à governadora eleita, só vou chamá-la assim, dona Rosângela Matheus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é à dona Rosângela Matheus que dedico a coluna de hoje. Dona Rosângela vai assumir sob a desconfiança de boa parte dos formadores de opinião deste estado. É por isso que deve agir com muito cuidado. Sem ressentimentos, sem raiva, sem ódio no coração. Como deve agir um cristão. Ando desconfiado das primeiras declarações de dona Rosângela. Precisa alfinetar Benedita? Deveria estar com o coração pacificado. Ganhou de primeira e ainda reclama. Já disse dona Rosângela: "Espero que (Benedita) pelo menos pague o 13º salário dos servidores e deixe em caixa o salário que vou pagar em janeiro, referente a dezembro." Ah, dona Rosângela, quanta maldade, quanto ódio no coração, quanta desconfiança. Nem parece cristã. Logo a senhora que fez parte de um governo que criou um prêmio milionário para o teatro carioca e não pagou. Calote mesmo. Isso não se faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Rosângela já falou também que vai acabar com o dirigível que vigia nossa cidade. Por quê? Não está dando certo? Como é que a senhora sabe? Ah, dona Rosângela, se quiser mesmo ganhar a confiança de toda a população, não só dos 50 e poucos por cento que já confiam na senhora, acho bom tratar com muita cautela a questão da segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem muita gente malvada por aí - os mesmos que a chamam de Evita da Baixada - dizendo que Fernandinho Beira-Mar comemorou sua vitória. Isso não é bom para sua imagem. Não é bom entrar no governo com este tipo de apoio. A juíza Denise Frossard, que tem nome, sobrenome e alguns milhares de votos, fala, para quem quiser ouvir, que sua eleição é "um perigo". Que o governo de seu marido foi, pelo menos, "conivente" com o tráfico. Chato isso, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrar para o governo com a imagem de, digamos, "musa dos traficantes" não é bom para sua imagem. E imagem, sabe como é, é que nem sarna. Pega fácil mas custa para sair. Dá um jeito nisso, dona Rosângela. Deixa o dirigível, aproveita o que a Benedita fez de bom, pacifique seu coração e ganhe nossa confiança. E largue essa bobagem de se chamar Rosinha Garotinho. Que coisa mais cafona! Não combina com seu cabelo esticadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem algo muito esquisito nesta eleição eletrônica. Domingo à noite, sempre parece que está tudo resolvido com 98% das urnas apuradas. Aí, chega na segunda-feira, o total é 98,35%. Na terça, 98,57%. Na quarta, 98,63%. Na quinta... Isso não acaba nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O GLOBO, 9.10.2002&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3925492-85651696?l=imprensa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3925492/posts/default/85651696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://imprensa.blogspot.com/2002_11_03_archive.html#85651696' title=''/><author><name>Cora</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='26' src='http://cora.blogspot.com/Capi_Bike.jpg'/></author></entry></feed>
